A Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) é uma doença grave, crônica, cujos sintomas se apresentam apenas em estágios mais avançados e, após o diagnóstico, a sobrevida média é de oito meses a dois anos. Dra. Jaquelina Ota, reforça a falta de políticas públicas de saúde voltadas para o tratamento e diagnóstico da HAP no País. A HAP acomete principalmente mulheres jovens entre 30 e 40 anos, de acordo com a média de pacientes que são atendidos nos centros de referência. Estes, por sua vez, são hospitais onde existe o acesso a tratamentos e diagnósticos, mas que estão disponíveis apenas em alguns estados. Entre eles, está o Ceará, onde o atendimento é realizado no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM). As causas estão associadas a fatores desconhecidos (idiopáticas), aos remédios para emagrecer (anorexígenos), à cardiopatia congênita, ao vírus HIV e à esquistossomose. No entanto, quem necessita de tratamento no Brasil, é preciso contar com uma estrutura incipiente e pouco amparada em termos de medicamentos, havendo apenas dois deles disponíveis dentre uma variedade de nove drogas. Segundo a pneumologista Jaquelina Ota, coordenadora do Grupo de Circulação Pulmonar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a situação é resultado da falta de políticas públicas de saúde voltadas para o tratamento e diagnóstico da doença no País. “Há 10 anos, o tratamento era com terapia, mas hoje sabemos como proceder. Existem medicamentos que levam à dilatação dos vasos pulmonares e diminuem a proliferação dos mesmos, controlando a HAP e gerando uma melhora na sobrevida do paciente, mas só estão disponíveis duas opções”. Doença órfã Outro agravante é o diagnóstico tardio. “Há falhas no sistema de saúde, porque a doença é silenciosa e órfã. Geralmente, quando aparecem os primeiros sintomas, o quadro já está avançado. O médico leva cerca de 2 anos para considerar a HAP”, diz. A médica reforça que ainda são poucos profissionais que estão habilitados a tratar a doença. “Há muita gente com cansaço e falta de ar sem diagnóstico adequado”. Isso porque o sintoma da falta de ar pode estar relacionado a outras doenças, como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, e também HAP. A falta de ar pode começar naturalmente e a investigação cabe ao médico. Por isso, as campanhas são voltadas aos médicos, a fim de alertá-los para a HAP, trazendo à tona a possibilidade no instante do diagnóstico. “Capacitar os médicos para entender a doença é fundamental”, ratifica. Suporte médico No entanto, é preciso aprimorar a estrutura, já que de acordo com Jaquelina Ota, não há agilidade no processo para disponibilizar a medicação em um estado específico, atrasando o tratamento e agravando o quadro geral do paciente. “Contamos com medicação desde 2007, mas, apesar desse avanço, ainda há um vácuo muito grande para garantir um protocolo nacional em prol do diagnóstico e do tratamento desses pacientes”. Quando a doença é descoberta e tratada precocemente, existem grandes chances de um aumento na sobrevida. “Com o tratamento há pacientes tratados há 8 anos”, afirma. Vale ressaltar que a progressão da doença ocorre no prazo de um ano. Minimizar os danos Há alguns cuidados que podem garantir a melhora na qualidade de vida do paciente de HAP. Controlar os sintomas é um deles. É necessário evitar atividade física intensa por conta da falta de ar progressiva (exercícios de pouco impacto são benéficos). Ser imunizado contra gripe e pneumonia. Não é recomendada a gestação, nem a ingestão de grandes quantidades de sal e de líquidos. A alimentação adequada é indispensável. FIQUE POR DENTRO A ação da HAP afeta o corpo como um todo Geralmente, os vasos sanguíneos do pulmão são diferentes dos vasos existentes no corpo todo (os chamados vasos sistêmicos). A pressão no pulmão corresponde a 1/4 ou 1/5 da pressão sistêmica. Para haver o bombeamento do sangue no organismo, ele é bombeado para o lado direito do coração, o qual faz a mesma ação para o pulmão, onde ocorre a troca gasosa. Na HAP, por diversas causas, ocorre a proliferação das células que formam os vasos, gerando uma vasoconstrição. Eles se fecham e a resistência do pulmão aumenta, promovendo sobrecarga do lado direito do coração. Devido ao aumento da pressão na circulação pulmonar, acomete-se a HAP. Diante da dificuldade de oxigenar o sangue, os sintomas mais comuns são cansaço, dor no peito e tontura. A cianose (coloração azulada ou arroxeada na boca, na pele ou nas unhas), decorrente a falta de oxigênio no sangue é um sinal referente aos casos graves da doença. VICKY NÓBREGA * ESPECIAL PARA O VIDA *A repórter viajou a convite da Bayer Health Care Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/suplementos/viva/hap-o-ponto-maximo-da-falta-de-ar-1.130970